História de um Casamento: O Esforço Comum no Divórcio que Ninguém Vê

Existe uma sensação muito forte no filme História de um Casamento que, invariavelmente, aparece em metade dos divórcios que eu atendo no escritório. Essa sensação é a de ter ficado cada vez menor para que o outro pudesse caber inteiro na relação.

Na trama, a protagonista Nicole largou a sua carreira promissora de atriz em Los Angeles para se tornar a estrela da companhia de teatro do marido, em Nova York. Consequentemente, ele virou o diretor genial e premiado. Enquanto isso, ela foi virando coadjuvante da própria vida.

Quando o casamento finalmente acabou, os dois queriam um divórcio “bonito”. Ou seja, eles queriam resolver tudo na conversa, sem a intervenção de advogados. A princípio, isso parece o caminho mais maduro e amigável. No entanto, essa escolha esconde armadilhas perigosas.

A armadilha do divórcio “só na conversa”

Na verdade, a grande armadilha está em começar a divisão patrimonial como se o sucesso fosse exclusivamente dele. No filme, a companhia de teatro, os prêmios e o patrimônio financeiro carregavam apenas o nome de Charlie. Contudo, absolutamente nada daquilo existiria sem a Nicole brilhando no palco e segurando a rotina nos bastidores.

Frequentemente, a mulher passa anos sustentando a base familiar, mas o marido age como se o patrimônio fosse apenas dele porque ele “pagava as contas”.

Por causa disso, o jogo virou completamente apenas quando a protagonista procurou uma advogada especialista. A defesa fez uma coisa simples e rara: colocou na mesa de negociação a metade que todo mundo fingia não ver. (Descubra por que você nunca deve confiar o seu futuro a um advogado generalista).

Como o STJ protege o esforço comum no divórcio

No Brasil, essa “metade invisível” tem proteção absoluta. Tudo o que o casal constrói durante o casamento pertence aos dois, mesmo que o documento esteja registrado no nome de um só. (Entenda mais sobre como bens no nome dele também são seus).

Para confirmar isso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) é direto ao validar o esforço comum no divórcio. Veja o que diz o tribunal (REsp 2.106.053/RJ):

“Ainda que somente um dos cônjuges tenha contribuído financeiramente para a aquisição do bem na constância do casamento, este bem passará a integrar o patrimônio do casal, em razão da presunção legal de que sua aquisição foi decorrente do esforço comum dos cônjuges.”

Recupere o seu espaço por direito

Por esse motivo, antes de deixar a minha cliente assinar qualquer acordo, eu levanto minuciosamente tudo o que cresceu enquanto o casal estava junto. Nós mapeamos a casa, as economias, a empresa e o negócio que deslanchou, mesmo que o agressor tente esconder esses bens.

Afinal, a presunção do esforço comum no divórcio pesa de forma decisiva na negociação e dentro do processo judicial. Além disso, esse esforço justifica o pedido de alimentos compensatórios.

Quando História de um Casamento termina, Nicole está de volta ao espaço inteiro que sempre pertenceu a ela. Definitivamente, esse é o final que importa.

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