Partilha de Bens no Divórcio: O Que Está no Nome Dele Também é Seu?

O imóvel está no nome dele. O carro está no nome dele. Os investimentos e a conta bancária também. Na hora da separação, ele fala com tanta segurança sobre o que é dele que você começa a duvidar dos seus próprios direitos.

No entanto, a partilha de bens no divórcio não funciona com base em quem assinou o recibo. Se você não sabe o que pode exigir, acaba aceitando o que o outro oferece. E a verdade é que o que ele oferece quase nunca é o que a lei garante a você.

Portanto, o fato de um bem estar registrado apenas no nome do seu ex-marido ou companheiro não faz com que o dinheiro seja exclusivamente dele. O primeiro passo para uma separação justa é entender o tamanho real do patrimônio do casal.

Como funciona a partilha de bens no divórcio na Comunhão Parcial?

No regime de comunhão parcial de bens — que é a regra geral no Brasil —, tudo o que foi comprado ou adquirido durante o casamento ou a união estável pertence aos dois.

Ou seja, não importa quem pagou a conta do financiamento. Além disso, não importa no nome de quem o contrato foi assinado. A lei presume que houve um esforço comum para a construção daquela vida a dois. Esse esforço comum envolve tanto o aporte financeiro quanto o trabalho invisível do cuidado com a casa e com os filhos.

Consequentemente, a conta bancária pode até estar no nome dele, mas se o saldo entrou durante o período do casamento, metade desse valor é seu por direito.

O que entra na partilha de bens no divórcio além de imóveis?

A maioria das mulheres pede menos do que tem direito porque não sabe exatamente o que compõe o patrimônio do casal. A lista para a partilha de bens no divórcio vai muito além da casa e do carro. Ela também inclui:

  • FGTS: O valor gerado e depositado na conta dele durante o tempo de casamento entra na divisão.
  • Previdência Privada: Os valores acumulados no período da relação também são partilháveis.
  • Cotas e Ações de Empresas: Se ele abriu uma empresa ou adquiriu cotas enquanto vocês estavam juntos, você tem direito a essa fatia empresarial.
  • Investimentos e Aplicações: Dinheiro aplicado em renda fixa, ações ou fundos proveniente do período da relação.
  • Parcelas de Financiamentos: Todo o valor pago em financiamentos de imóveis ou veículos durante a união deve ser contabilizado.

O perigo de tentar negociar o patrimônio sozinha

Muitas vezes, o ex-parceiro sabe perfeitamente que o patrimônio é dos dois. Por esse motivo, ele tenta conduzir a negociação sozinho, apressando você para assinar um acordo rápido. Ele oferece o valor que quer, escolhendo o que divide e escondendo o que acha conveniente.

Sem um levantamento completo de tudo o que foi adquirido durante a relação, você negocia às cegas. Quem negocia a partilha de bens no divórcio sem saber o tamanho real do patrimônio sempre sai no prejuízo.

O STJ protege o patrimônio construído pelo casal

O STJ, um dos principais tribunais brasileiros, já decidiu que não é necessário a contribuição financeira para que exista direito a partilha do patrimônio:

“Ainda que somente um dos cônjuges tenha contribuído financeiramente para aquisição do bem na constância do casamento sob o regime da comunhão parcial, este bem passará a integrar o patrimônio do casal, em razão da presunção legal de que sua aquisição foi decorrente do esforço comum dos cônjuges.” (STJm REsp n. 2.106.053/RJ, Terceira Turma, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/11/2023)”

A lei entende que a aquisição dos bens foi decorrente do esforço comum, garantindo a sua metade de forma inquestionável.

Proteja o que é seu com um advogado especialista

O patrimônio que você ajudou a erguer não pode sair da sua vida junto com o fim do relacionamento. Reivindicar a sua metade na partilha de bens no divórcio não é pedir um favor, é exigir um direito garantido por lei.

Antes de negociar diretamente com ele ou assinar qualquer documento, busque assessoria jurídica especializada. Faça um levantamento detalhado de contas, imóveis, veículos, investimentos, empresas e FGTS.

O escritório Bruno Freitas Advogados atua exclusivamente na defesa técnica de mulheres em casos de Direito de Família, com atendimento 100% digital e sigiloso para todo o Brasil.

Fale agora com a nossa equipe pelo WhatsApp de forma sigilosa e proteja o seu futuro.

BLOG

Veja outras publicações

Violência Patrimonial: Quando o Controle do Dinheiro é Abuso

Durante o casamento, ele controlava as decisões. O dinheiro. Os documentos. As contas. Portanto, controlava também o que você sabia e o que podia fazer. Talvez isso nunca tenha sido chamado de violência dentro de casa. No entanto, a lei tem um nome para essa conduta. Violência patrimonial existe e...

Sair Sem Dinheiro: A Armadilha da Dependência Financeira

Existem mulheres que sabem há muito tempo que não querem mais permanecer. O problema é que sair não acontece apenas porque a decisão foi tomada. Portanto, quando alguém pergunta “por que ela não foi embora antes?”, a resposta quase sempre é a mesma: porque não havia como. A dependência não...

Assédio Processual: O Controle Que Continua Após a Separação

Muitas mulheres saem de uma relação violenta e descobrem algo cruel: a separação não encerrou o controle. Ele apenas mudou de lugar. Agora, cada decisão sobre o filho vira permissão. Cada mês traz uma nova acusação. Portanto, o processo virou o novo canal de acesso a você. Como o controle...

Sobrepartilha: O Patrimônio Que Aparece Anos Depois do Divórcio

A partilha terminou. O processo encerrou. E, anos depois, você descobre que existia um bem que nunca entrou na conta. Talvez pareça tarde demais. No entanto, o direito brasileiro tem uma resposta específica para isso: a sobrepartilha. O que é sobrepartilha Trata-se de uma nova partilha, limitada aos bens que...

Ele Usa os Bens do Casal Enquanto o Processo Não Acaba

A empresa continua funcionando. Os imóveis continuam produzindo aluguel. Os investimentos seguem gerando frutos. No entanto, você está há anos esperando o fim do processo. Enquanto isso, ele usa e você aguarda. O prejuízo que a demora produz Existe um efeito silencioso na lentidão processual. O bem é comum, mas...

Patrimônio Invisível: O Que Você Não Vê na Partilha de Bens

Muitas mulheres entram na partilha pensando nos bens que conseguem enxergar com facilidade: imóveis, veículos e dinheiro em conta. No entanto, patrimônio de verdade raramente fica só nesses três lugares. Portanto, quem negocia olhando apenas o óbvio costuma dividir metade e abrir mão da outra sem perceber. O que costuma...