Ana Luiza tinha 29 anos. Ela era psicóloga, modelo e candidata a Miss. Infelizmente, ontem ela virou mais um número em uma estatística que não para de crescer. Na madrugada de terça-feira, a polícia encontrou Ana Luiza sem vida após ela cair do 13º andar de um prédio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Logo em seguida, as autoridades prenderam o namorado por suspeita de cometer esse ato brutal.
De fato, os números do feminicídio no Brasil assustam. Em 2025, nosso país bateu o recorde histórico dessa violência. Agressores tiraram a vida de 1.568 mulheres, o que representa 4 mortes por dia. Além disso, o ano de 2026 já começou com a mesma tendência devastadora.
Atualmente, parceiros ou ex-companheiros cometem 8 em cada 10 assassinatos de mulheres. Frequentemente, a maioria desses crimes acontece dentro de casa. Ou seja, o lugar que deveria representar a maior segurança se torna o principal cenário de perigo.
O feminicídio nunca é um “crime passional”
Acima de tudo, a sociedade precisa entender que o feminicídio não é um crime passional. Da mesma forma, ele não representa um mero descontrole emocional ou um momento isolado de fúria.
Na verdade, esse ato extremo é o último passo de uma violência que o agressor já praticava há muito tempo. O homem violento isola a vítima, destrói a autoestima dela e, consequentemente, controla suas ações antes de chegar às vias de fato. (Entenda como o agressor também manipula o patrimônio em nosso artigo sobre direitos na partilha de bens).
O sistema falha, mas a mulher não tem culpa
Muitas vezes, a vítima já havia tentado pedir socorro. Os dados mostram que 22% das vítimas já tinham registrado denúncia oficial antes de perderem a vida. Ainda pior, 13% delas possuíam uma medida protetiva ativa. Mesmo assim, o papel expedido pela Justiça não foi suficiente para frear o agressor.
Portanto, nós precisamos declarar uma verdade dura: o sistema falha gravemente na proteção dessas vítimas, mas a mulher nunca tem culpa pela violência que sofre.
As vítimas invisíveis: crianças e o futuro destruído
Como resultado direto, a violência não mata apenas a mulher. Ela destrói completamente a infância daqueles que ficam para trás.
Somente no ano de 2025, os casos de feminicídio no Brasil deixaram 1.653 crianças órfãs. Assim, o agressor condena essas crianças a crescerem com o trauma irreparável de perderem a mãe da forma mais cruel possível. (Leia também sobre como a Justiça investiga genitores que escondem a realidade financeira na pensão alimentícia).
Como ajudar e denunciar a violência doméstica
Ana Luiza não representa um caso isolado. Ela é mais um nome em uma lista sangrenta que cresce a cada ano. Enquanto o Estado e a sociedade não tratarem esse problema como uma emergência absoluta, essa lista não vai parar. Nenhuma mulher deveria morrer pelas mãos de quem dizia amá-la.
Por isso, se você conhece uma mulher em situação de risco, não espere o pior acontecer. Ajude-a a sair desse ciclo antes que a estatística ganhe mais um número.
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (para orientações e denúncias anônimas).
- Ligue 190: Polícia Militar (para emergências e agressões ocorrendo no momento).
O escritório Bruno Freitas Advogados atua fortemente na defesa técnica de mulheres vítimas de Violência Doméstica e Familiar. Nós aplicamos o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero para garantir medidas protetivas de urgência e o distanciamento imediato do agressor.
Se você precisa de ajuda jurídica ou orientação sigilosa para sair de uma relação abusiva, fale com a nossa equipe agora pelo WhatsApp.